LIBERALISMO/200

200 ANOS DESDE A REVOLUÇÃO LIBERAL DO PORTO

"Hoje é um dia histórico para Portugal! Passaram 200 anos desde a Revolução Liberal do Porto, acontecimento que abriria portas para que, décadas mais tarde, se instalassem as ideias liberais em Portugal, possibilitando a formação, gradual, de um constitucionalismo que chegou até à atualidade.

Porém, nem tudo é bom. As ideias liberais, fruto desta e de outras revoluções ocorridas na Europa entre os séculos XVIII e XIX, foram-se perdendo, não só em Portugal como no continente europeu. Em pleno século XXI os cidadãos parece que se esqueceram da importância da liberdade, da igualdade, da justiça, da solidariedade e vivem, cada vez mais, ignorando estas conquistas, dando-as como algo totalmente garantido.

Se nada for feito, estes preciosos valores e ensinamentos correm o risco de deixarem de fazer parte da nossa sociedade, sendo substituídos pelos princípios da extrema-esquerda e da extrema-direita.

Só nós, os cidadãos, podemos evitar isso, e para tal precisamos de uma nova revolução liberal, uma revolução identitária que nós ligue, mais uma vez, aos valores do liberalismo, refundando-o em pleno século XXI.

É com o intuito de fundar este novo liberalismo, a partir de todos os cidadãos, que surge o Movimento 24 de Agosto, a Revolução Liberal de 1820 é a nossa 'raison d'être', é por ela que somos o que somos e é nela que nos baseamos. Se ela não criou um liberalismo como o que nós gostaríamos, vamos fazê-lo agora, todos juntos!"

Com a Revolução Liberal do Porto, entrava em Portugal uma nova corrente ideológica e filosófica. Muito mais do que uma nova forma de governar, o liberalismo, era uma nova forma de ver o mundo, um mundo que, a partir de agora, já não se regia pela sociedade de ordens, pelo domínio de uns sobre os outros em virtude das suas ligações familiares. Acabava, então, uma sociedade exploradora e onde a mobilidade social era praticamente impossível.

Graças ao liberalismo, o mundo conheceu uma nova época de prosperidade, onde cada um poderia ser aquilo que queria, onde todos somos iguais e onde todos somos livres. Porém, se o liberalismo demorou décadas para se conseguir afirmar verdadeiramente em todas as suas linhas - sendo que durante muito tempo o liberalismo nunca foi verdadeiramente implementado, sendo boicotado pelo sufrágio restrito a certas categorias sociais, pela incapacidade de voto das mulheres e dos negros e até pela intensa exploração laboral vivida - em países mais evoluídos como o Reino Unido, a verdade é que em Portugal ele nunca se afirmou. Mesmo após a Revolução de 1820 e a promulgação da Constituição de 1822, Portugal não era verdadeiramente liberal, sendo que só se abriu portas a tal após revoltas como a Patuleia e a Maria da Fonte, levando ao fim de todos os privilégios. Apesar disso, em 200 anos - 1820-2020 - Portugal nunca respeitou realmente a tradição liberal - se a nível filosófico preferiu manter as elites no poder e dificultar o acesso do povo a estes, a nível ideológico este foi simplesmente ignorado, sendo que até os denominados partidos liberais que chegavam ao poder não eram verdadeiramente liberais. Foi preciso esperar por 2019 para chegar ao Parlamento um partido realmente liberal e que defendesse os reais princípios da soberania do povo, mas Portugal continua preso às teias do estatismo que abrirão portas, novamente, a um regime totalitário.

Por isso urge a necessidade de Portugal e dos portugueses perceberem, realmente, a importância do legado liberal, nem tanto numa vertente política e ideológica, apesar de tudo, mas sim na sua vertente filosófica - liberdade, igualdade e fraternidade, respeito e soberania popular, algo que é cada vez mais ignorado.

Assim, a ligação entre o 24a e a Revolução Liberal de 1820 vai muito além do nome. São os princípios que chegaram a Portugal com este momento da História e que nunca foram realmente implementados que nos movem, de forma a consagrar uma verdadeira sociedade liberal, onde seja o povo o real detentor do poder.